terça-feira, 5 de novembro de 2013

Culpa de quem?

Dói se sentir culpada.

Ultimamente este maldito sentimento de culpa cresce dentro de mim mesmo sem encontrar um motivo aparente para, de fato, me sentir culpada de alguma coisa.

Autodestruição, egoísmo, dor... A culpa é minha mesmo?

Talvez sim. O misto de sentimentos confusos não me ajuda a enxergar essa tal culpa.

Eu achava que a culpa era dos outros. Eles que me machucavam. Eles que me olhavam com nojo. Eles que queriam que eu desaparecesse.

Quando na verdade, era eu quem fazia e sentia (e ainda faço e sinto) tudo isso.

Culpa de quem?

Dói se sentir culpada.

Ultimamente este maldito sentimento de culpa cresce dentro de mim mesmo sem encontrar um motivo aparente para, de fato, me sentir culpada de alguma coisa.

Autodestruição, egoísmo, dor... A culpa é minha mesmo?

Talvez sim. O misto de sentimentos confusos não me ajuda a enxergar essa tal culpa.

Eu achava que a culpa era dos outros. Eles que me machucavam. Eles que me olhavam com nojo. Eles que queriam que eu desaparecesse.

Quando na verdade, era eu quem fazia e sentia (e ainda faço e sinto) tudo isso.

quinta-feira, 26 de setembro de 2013

Uma xícara de pessimismo.

Meu pessimismo incomoda.

Vejo gente criticando o meu ponto de vista sobre as coisas como se não houvesse amanhã. Isso tá ficando frequente e sinceramente? Estou ficando de saco cheio.

Pra quem não vê tudo cinza 24 horas por dia tudo é o máximo. Nada de adversidades, traumas, cara feia, estresse. A vida pra essas pessoas é um filme da Disney. Tudo, ABSOLUTAMENTE TUDO é exacerbadamente feliz e perfeito. Daí quando esse tipo de gente se depara com gente como eu é fogo... Eu não posso ser crítica, ríspida, expressar minha opinião com gosto de fel que já começam com a encheção de saco: "Nossa, mas como você é chata", ou "Para de mimimi!".

O maldito "mimimi". Há quem pense que depressão é "mimimi", frescura, falta do que fazer. Não, caras. Idiota é aquele que pensa que uma doença (esta porra é, sim, uma doença) é pauta pra piadinha mequetrefe de gente "felizinha".

Eu tô careca de ouvir esse blá blá blá todo. Não tenho como mudar agora, está sendo difícil. Sentir que está perdendo pouco a pouco a sua identidade e se perguntar "quem sou eu e o que eu estou fazendo aqui" o tempo inteiro é algo estafante.

Não desejo isso pra ninguém. Mas olha... Me desculpem, mas os que me atingem merecem. Eu deveria ter um poder mágico que transferisse minha depressão para qualquer babaca. Mas aí eu seria mais babaca ainda talvez. Porque estaria sendo egoísta. Estaria pensando em mim pelo menos uma vez na vida, mas não de uma forma satisfatória.

Às vezes a gente pensa que sendo "malvadinho" resolve alguma coisa, nos faz fortes e grandes. Pelo contrário. Não dá pra se sentir forte quando na realidade você está fraco.

Não, eu não calo a boca. E sabem por quê? Porque acho que guardar pra mim tudo aquilo que sinto (mais do que eu já guardo) só vai piorar. E aí eu explodo. E não será legal.

Não dá pra pensar positivo e ser feliz quando você não se sente (e não está) feliz. É difícil mudar a mente pro modo pílula da felicidade quando você se sente vazia, idiota, feia, deslocada de tudo.

Portanto, poupem-me dessa "felicidade".

sexta-feira, 6 de setembro de 2013

[foto]

"Estou cansado.

Cansado de brigar com outros gatos, cansado de me machucar em cacos de vidro espalhados pelos telhados. Cansado de pisar e sentir o cheiro de veneno de rato que sempre me ameaça de morte. Cansado de ver meus pelinhos sempre imundos e infestados de pulgas desse mundo igualmente sujo. Cansado de miar, miar e miar e ninguém me ouvir.

Mas você me ouviu. Me sinto seguro.
Posso dormir aqui com você? Estou muito cansado".

sexta-feira, 30 de agosto de 2013

Gagarin's smile.

Eu sou muito curiosa.

Já faz umas semanas que ando lendo muito sobre feitos históricos e pessoas extraordinárias. E, no meio dessas pessoas extraordinárias, uma me chamou a atenção: o cosmonauta soviético Yuri Gagarin. É, ele mesmo, aquele cara que viu esse planetinha de meu Deus lá do espaço e disse que a Terra é azul e blá.

Mas não foi por causa desse feito que ele me encantou. Foi o seu sorriso.

Sim. Procura umas imagens dele lá no Google pra você ver. E tenta ignorar uma das sobrancelhas, horrorosa por sinal.

Eu admiro sorrisos verdadeiramente humanos, como se a alma da pessoa estivesse sorrindo pra você, no objetivo de acertar em cheio na sua alma. E ele tinha um sorriso lindo! Era lindo porque era evidente no seu semblante o quanto ele amava ser aquilo que era, o quanto amava a vida que tinha. Acho que a maior demonstração de gozo pela vida está no sorriso de alguém. E você percebe a veracidade de um sorriso, é até fácil de enxergar.

E o Yuri era assim. Eu queria ser tipo ele: cheio de vida, otimista, charmoso e receptivo com as pessoas. Eu, na verdade, queria sorrir mais como ele (tentando esquecer dos meus dentes tortos, principalmente...).

Diziam que era impossível olhar para o cara e não sorrir junto. Era tanto, mas tanto carisma que o mundo inteiro se apaixonou por ele. Gosto de pessoas assim, naturais, humanas mesmo.

Ele era um ser incomum. Principalmente porque ele era o oposto dos soviéticos da década de 60: enquanto os caras eram altões, sisudões e puxas-saco do jeito Stalin de ver o mundo, ele era baixinho, atencioso e admirava as pessoas e o mundo onde viveu (e viu lá de cima). Vê se hoje em dia você encontra gente assim. Dá pra contar nos dedos, eu aposto.

Ele, de fato, era incomum.

E eu admiro gente incomum. Tanta mesmice enche o saco e desanima.

Tão incomum que parecia um anjo, ouso dizer.

segunda-feira, 26 de agosto de 2013

Jardim.

Oi.

Então, voltei. Não vou explicar o porquê desse hiato quase interminável. Vocês já devem imaginar o motivo.

Resumo o que aconteceu, então: provas finais do semestre, aniversário, dores de cabeça, Prozac comin' back to me, etc. Nada de namoradinhos, sexo, dinheiro, baladinhas pra desfrutar.

Me encantei com gente viva e com gente morta (!). Mandei o mundo ir pra puta que pariu. Peguei trem lotado (e ainda pego!), ônibus lotado. Cabeça lotada de preocupações.

Tudo continua do mesmo jeito. Continuo levando desaforo, raiva, estresse, indignação... Tudo pra casa. Esperanças? Calma lá, tô tentando plantar as minhas. Na terra seca tem jeito?

Mas ainda tenho o meu pobre jardinzinho chamado vida. E tô tentando cuidar com todo o meu amor que ainda me resta.

domingo, 9 de junho de 2013

Dores da vida.

A vida. Ela gosta de me sacanear.

Junho está sendo uma merda. Uma merda muito grande. Acho que meus problemas, que pensei terem ficado no passado, voltaram com tudo. Com tudo mesmo, com direito até a cartinha do SCPC/Serasa.

A começar pelo meu desempenho na faculdade. Descobri que tenho que fazer vários exames para compensar umas notas ruins que consegui tirar. Só fui aprovada em duas matérias. DUAS. Isso comprova a minha total incompetência, amigos. E o pior é que preciso ler vários livros para as provas, e ninguém da faculdade que me adicionou no Facebook fez o favor de me dizer quais são (mesmo depois de, muito relutantemente, ter perguntado), porque parei de ir pra lá. Por duas razões: 1) O semestre praticamente acabou, e o conteúdo das matérias também. Fora que (acho que) os professores não estão fazendo chamada; e 2) Meu psicológico atual não permite. Me sinto tão cansada de tudo que não encontro ânimo para mais nada. Chego a pensar todos os dias que a faculdade foi a maior besteira que fiz nesse ano. Eu deveria ter esperado mais. Deveria ter cuidado de mim primeiro, para depois cuidar do meu futuro. Jornalismo é, sim, o que eu quero fazer, é o que eu quero pra minha vida, mas não agora. Acho que me precipitei demais. E ouvi demais o blá blá blá da minha mãe sobre voltar a estudar. Provavelmente eu nem estava preparada para isso. Achei que estava. Mas sinto que não estou. E aí vem a grande questão: tranco ou não a faculdade? Se eu trancar a faculdade vou me sentir cada vez mais frustrada comigo mesma e imagine a III Guerra Mundial que vai acontecer aqui em casa se eu inventar de fazer isso. Aí a única saída seria uma "solução final" em mim.

Essa situação reflete também no meu desempenho no trabalho. Minha supervisora (que está sendo ultimamente minha psicóloga particular) já vê de cara, a quilômetros de distância, que eu nunca estou bem. Aí ela me abraça, conversa comigo, tenta me confortar de alguma forma. Não reclamo muito do meu trabalho (trampo de segunda a sexta, sábados, domingos e feriados de folga, é uma bênção!), apenas acho o salário que eu ganho insuficiente para as coisas que eu quero fazer... Mas é que fico com a cabeça tão atulhada de preocupações que acho que meu desempenho por lá esteja muito duvidoso. Estou deixando de fazer algo que eu amo: ler. Porque fico tão, mas tão triste e preocupada com o rumo que a minha vida está tomando que perco a minha concentração quando quero ler. Eu descontava minhas decepções com a realidade lendo uma caralhada de livros. Agora nem isso consigo fazer direito. Desconto minhas decepções no cigarro. Eu não deveria, mas acho que não resta outra coisa pra se fazer. Chocolates e salgados não resolvem mais.

Aí, pra foder tudo de uma vez, recebi as cartinhas do SCPC/Serasa, sobre uma dívida que tenho no banco. E se eu tenho condições de pagá-la? Óbvio que não. Falta fazer uma renegociação, mas vocês sabem... Falta de tempo, de paciência... De tudo. Ainda mais quando a agência onde foi feita a conta fica lá na casa do caralho.

E é certeza que minha mãe não vai me ajudar de jeito nenhum. Ainda mais agora, que voltamos a brigar por qualquer merda. Até por causa do nosso cachorro. Resumindo a história: ela quer tirá-lo de mim e eu não quero. Porque ela está com a rinite atacada (e eu também) por causa dos pelinhos dele e blá blá blá. Ele é importante pra mim. Tanto ele quanto minha gatinha de estimação. É que as pessoas daqui de casa parecem que não sabem, mas eu sofro de alguma coisa que fode a mente, sabe... E eu preciso de algo para amar verdadeiramente, já que não gosto e não confio na maioria das pessoas ao meu redor. Carência? Pode até ser. Dizem que quando uma pessoa ama incondicionalmente um animalzinho, ela pode estar sofrendo de algum tipo de distúrbio afetivo. Somente eles me fazem esquecer da depressão, da ansiedade, do estresse... Da vida ruim em geral. E aí minha mãe vem, fala um monte de coisa (grande coisa que é verdade, eu sei, mas que eu quero esquecer em nome da minha já destruída paciência) e decide tirá-lo de mim. Não, eu não aceito. Ela sabe como vou ficar sem um deles.

Fora que ela anda muito nervosa com tudo. Com tudo mesmo. Deve ser a menopausa. Ou eu.

Eu não queria que as coisas fossem assim. Eu achei que eu superaria meus problemas, eu achei que esse começo de ano seria menos ruim do que os outros, mas mais uma vez me vejo totalmente enganada. Eu não sei se é algum castigo. Acho que devo ter sido uma pessoa muito ruim numa vida passada, e que agora eu devo estar pagando os altos preços da vidinha anterior.

Por causa de tanta coisa que acontece, sempre acho que a minha presença é algo que atrapalha, que incomoda, que causa discórdia. Pessoas como eu mais atrapalham do que ajudam. E se eu penso numa "solução final" para a minha vida? Tsc... Claro que penso. Todos os dias.

"A vida é uma guerra sem tréguas, e morre-se com as armas na mão" - SCHOPENHAUER.

sábado, 27 de abril de 2013

Esforços.

Devo ter ficado de recuperação na matéria "vida".

Sim, porque a vida quer que eu me esforce mais, que eu me dedique mais, que eu seja mais feliz. Mesmo com o cotidiano me mostrando todos os dias que é um saco conseguir alcançar estes objetivos.

Esta semana foi ruim. Eu a considerei ruim. Estava frustrada com muita coisa relacionada a mim mesma. Frustrada com a minha visão de futuro, frustrada com a minha falta de sensibilidade, frustrada com o meu medo de conhecer pessoas. Essa nova fase da minha vida me dá uma vontade imensa de chorar, sair correndo e gritar, gritar muito muito alto, pra ver se meus receios desaparecem.

Comprovei minha total falta de sensibilidade emocional quando estava na aula de Filosofia. 

O professor (padre, pff...) quis que nós da sala nos juntássemos em alguns grupos de sete ou oito pessoas (imaginem o pânico que senti). Era para um trabalho em sala de aula para discutirmos o seguinte tema "O que é a felicidade?".

Perguntaram pra mim o que era felicidade. Naquele momento, senti minha massa cinzenta se transformar num chumaço de algodão.

Claro que eu não sabia o que dizer. "Felicidade" pra mim é algo muito vago, mas ao mesmo tempo muito vasto de questionamentos e descrições (eu não disse isso em sala de aula porque provavelmente me chamariam de maluca e nunca mais trocariam sequer uma palavra comigo depois). Teve um debate na sala e etc... 

E enquanto o debate transcorria, eu olhava para cada um dos integrantes. Eles são muito bons na arte de debater, de argumentar, de ir contra a ideia do outro. Cara... ! Em discussões eu sempre perco a razão (e a linha), porque acho que sou muito mole pra argumentar com outra pessoa. E também porque... Pra quê vou gastar minha saliva e meu léxico com gente que discorda de mim, que acha que minhas ideias são idiotas ou absurdas demais? Discordâncias me irritam profundamente. Pra mim não faz sentido eu falar "A" e a pessoa dizer "B, C, D, E...".

A vida universitária está me mostrando que eu não tenho escapatória. Ou eu me curo ou eu me curo. A "forçação de barra" está, mais do que nunca, me esmagando. Não tem jeito, tenho que ser "legal" com todo mundo, tenho que sorrir quando falam comigo, tenho que esconder quem eu realmente sou.

Olha, a culpa é toda minha, não se preocupem. Eu não culpo ninguém pelo o ser humano falho que eu sou.

Nesses meses de faculdade, dois moços falaram comigo. Pareciam que queriam saber o que eu tanto escondo dentro de mim, porque me faziam perguntas do tipo "Ah, mas por que você é assim?", "Ah, eu não entendi o seu conceito disso ou daquilo outro...", "Mas quem foi que te disse que você é feia?!". Das duas vezes, eu evitei olhar pra cara dos indivíduos. Já falei que pessoas me intimidam, principalmente quando olham nos meus olhos. E por causa das perguntas bestas que eles me fizeram, senti uma vontade de bagunçar suas caras. Caralho... É faculdade ou é clínica psiquiátrica?! Pagar um novo psiquiatra pra mim ninguém quer né?

E no trabalho as coisas transcorrem normalmente. Eu fico lá no meu cantinho e pronto.

I <3 cantinhos.

quarta-feira, 24 de abril de 2013

Hiato II

Primeiramente, feliz ano novo. Atrasadíssimo, como podem ver.

Bom, eu fiquei esse puta tempo sem escrever nada aqui porque enfim... Não, não foi a vida que me fodeu e que me desanimou. É a falta de tempo. Explico.

Comecei a fazer a faculdade. UAU A PAULA TÁ FAZENDO FACULDADE, FINALMENTE PUTA QUE PARIU UHUL... Felicidade e blá blá blá, certo? Não. Não é bem assim.

Confesso, de todo o meu pobre, dilacerado, despedaçado, gangrenado e fodido coração, que não está sendo uma fase legal para mim. Sabe como é né... Essa depressão que vai e volta na velocidade da luz como bumerangue supersônico. Nunca sei quando eu estou bem e quando eu estou indo. Sinto que nunca estou feliz, principalmente comigo mesma.

E como eu não tenho uma pessoa física com quem desabafar no momento (estou sem ir ao psiquiatra e isso tá me incomodando profundamente), estou recorrendo à este precário blog.

Todos as noites quando volto da faculdade, fico refletindo sobre a minha vida nesses últimos meses, desde que comecei a faculdade. Faço uma reflexão sobre os amigos que ainda não fiz (amigos mesmo, não colegas de classe), sobre as notas ruins que tirei, sobre a roupa que eu estou usando. E parece que nada orna. Nada mesmo. O vidro da janela do Metrô, todas as noites, mostra a Paula do ano passado, que só chorava e chorava e chorava. E aí eu volto uns anos atrás e lembro daquela Paula aos doze anos de idade, que começou a ficar muito confusa, muito feia, muito vítima de bullying.

E aí uma coisa leva à outra, e leva à outra, e leva à outra... E parece que a qualquer momento, na noite seguinte, fico prestes a pular na via lá da estação Ana Rosa, na hora em que o trem estivesse se aproximando.

Daí tudo me leva a crer que a Paula dos anos passados, mesmo fazendo faculdade e trabalhando, ainda não saiu de mim. Ainda me afeta como uma espécie de doença. Depressão é uma doença. Mas nem todo mundo encara assim. Minha mãe com certeza ainda acha que é frescura e corpo-mole.

E honestamente? Mas honestamente mesmo? Me sinto morta por dentro. Parece radical, cruel e nojento, mas é assim mesmo. Como um romance naturalista agregado à uma obra cubista feat. expressionista.

É triste pensar dessa forma, ainda mais uma pessoa como eu, que ainda tem uma caralhada de vida pela frente. E isso que me dá mesmo. Essa longa vida. O que farei? Me pergunto se conseguirei ser uma jornalista formada. Hoje por exemplo me senti bem mal porque acho que o professor não curtiu o trabalho que fiz com um grupo. Estou me odiando por dentro até agora. Críticas me desmoronam, e isso me faz um ser humano bem idiota e difícil de lidar.

Olho para o escuro do túnel do Metrô pela janela e me questiono o tempo todo: o que é essa tal de felicidade? Como é ser feliz? Como é sorrir com a alma? As pessoas no Metrô me parecem bem felizes. Principalmente os jovens que voltam da faculdade no mesmo horário que eu. Falam de suas baladas inesquecíveis, de seus amores, de seus sonhos. Esses jovens me parecem tão radiantes, tão seguros de si... Claro, ainda acredito na "falsa felicidade", mas na situação em que eu estou, todo mundo é mais feliz do que eu.

Costumo me sentir deslocada de tudo e de todos. Me incomoda, cara! Me incomoda muito! Mas parece que quanto mais eu luto, mais eu me vejo previamente derrotada nessa batalha contra mim mesma.

Meu coração parece que vai explodir com tanta coisa ruim guardada. E às vezes, eu só precisava conversar com alguém que estivesse disposto a me ouvir (fora um novo psiquiatra), um coração aberto, uma mente aberta para me entender, sem pronunciar a palavra "frescura" durante a conversa.

Acho que o pior sentimento do mundo é o conformismo. Se conformar com a vida inodora, incolor e insípida que me rodeia. Se conformar com os fatos, por mais desagradáveis que sejam. Se conformar com a desesperança, o desespero, o desamor. Se conformar com as garotas mais bonitas, mais inteligentes e mais felizes do que eu. Se conformar com os olhares tortos e desconfiados sobre mim. Se conformar com o fato de que os garotos preferem loiras (outras) morenas e ruivas do que eu. Se conformar com a perda de peso mais que preocupante. Se conformar com o cabelo estranho, a face estranha, o corpo estranho. Se conformar com o espelho que me mostra a dura verdade da minha estética (ou que me distorce). Se conformar com a ansiedade.

Se conformar com a vida.

sábado, 8 de dezembro de 2012

Impaciência.

Não existe amor em São Paulo. Muito menos paciência.

Disse Caetano com o Criolo uma vez. E eu digo esta frase com o algo a mais. Ando pelas calçadas quebradiças e perigosas da cidade, pensando se terei um dia sequer sem pensar em tropeçar nelas. Estes últimos tempos, não houve um dia sequer que eu deixei de pensar em besteiras e preocupações pelo menos por um momento - essa última com mais frequência do que antes. Andar sem se sentir isolada, estranha, feia, preocupada... Faz anos que eu não sei como é isso.

Ansiedade é um saco. Ainda mais numa cidade como essa, onde as pessoas, mesmo com muita pressa, sempre encontram uns 5 minutos para reparar na sua roupa, no seu corte de cabelo ou no celular que você está usando. Tudo me é deveras esquisito ultimamente. As ruas, as pessoas, os lugares, a poluição, o serviço telefônico, a fila do banco, o Metrô lotado.

Essa semana, por exemplo. Me convenci pela enésima vez de que tudo que eu preciso é fugir dessa realidade tão cinzenta e supérflua. Parece que essa realidade cinzenta afeta todo mundo. Inclusive gente que convive comigo. Estão sempre tão ocupadas... Não me esqueci das pessoas que disseram que sempre estariam comigo para o que desse e viesse. Hoje em dia nem espero que esses "amigos" tenham contato comigo.

Acho até que tenho uma parcela de culpa. Sou atrapalhada, desleixada, folgada, mal-amada, feia, e quiçá com um parafuso a menos. Paulistanos não têm paciência com pessoas como eu. Nem papai, nem mamãe, nem irmão, amiga, ninguém. Não. Pessoas "sem filtro" como esta que vos escreve merecem - oh Deus! - viverem enclausuradas num quitinete do tamanho de um ovo na Santa Cecília, vendo o tempo passar pela janela. Não sou culta - a galerinha cool paulistana gosta de gente que frequenta a Paulista toda sexta à noite depois da faculdade ou do trabalho, pra tomar um café na Starbucks ou pra falar do último sucesso dos Arctic Monkeys com uma rodinha de amigos igualmente cools no vão do Masp. Não sou legal - sarcasmo, ironia, palavrões e vozinha esgarçada de uma adolescente de 15 anos, sentiu o drama?

Gente como eu tem altas chances de ingressar na área de humanas da faculdade e acabar ficando biruta. Galera não tem paciência comigo. E eu acho que não tenho paciência com a galera, com a humanidade, com a vida.

segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

Menopausas.

Minha mãe atualmente é mais uma que está entre as 13,5 milhões de mulheres no Brasil que estão na menopausa. Deve ter subido mais, já que parece que a cada uma semana, 10 ou 11 mulheres entram na menopausa. Não duvido nada que seja mais do que isso, claro. É só uma maneira de me expressar.

Mas por que minha mãe está incluída nisso? Pelo simples fato dela estar me deixando maluca. Ou nos deixando malucos.

Parece que a mulher quando se vê na menopausa, adquire tiques, TOC's (minha mãe está com uma mania de limpeza que eu até estranho), depressão que vai-e-volta como um bumerangue, e etc. Fora a irritação diária, de quem parece que está afim de matar todos.

Está assim agora. Na menopausa, elas SEMPRE estão certas, nunca estão erradas. Deve ser os calorões que as deixam meio doidas. E minha mãe SEMPRE está certa. Não adianta contestar. Senão a porrada come.

E sinceramente, não quero me imaginar assim futuramente. Talvez eu tenha que dar graças à Deus por estar menstruando todo mês.

domingo, 2 de dezembro de 2012

[historinha aleatória nº4]


Disse que iria para um show que rolaria num Rock Bar próximo e voltaria para casa, saindo de mais uma reunião com a banda. Fechou a porta atrás de si, dirigindo-se ao elevador mais próximo, descendo até o térreo e ganhando a rua. À essa altura, o relógio de seu celular já marcava 22:03 pm.

Pegou seu carro e saiu quase que em arrancada - achou que deveria ir logo para o mecânico, mas não encontrava sequer um tempinho. A essas horas as largas avenidas de Tokyo estavam tranquilas, nem lembravam aquela confusão de pessoas e poluição sonora em horário de pico.

Chegou no bar e já foi saindo do carro, entregando as chaves para o manobrista. Logo, já estava lá dentro, procurando uma mesa para se sentar e ver o show daquela noite. Ouviu dizer que era uma banda estrangeira que tinha uma vocalista. Era uma mulher. Atiçou sua curiosidade de alguma forma. Gostava de mulheres nos vocais de uma banda. Achava bonito e símbolo de atitude.

Esperou algumas horas e logo o show já começava. Entrou no palco os outros integrantes da banda e por último a tal vocalista. Tomou um gole de seu Wiskey e os olhos passaram a prestar atenção naquela moça.

Era uma mulher bonita, de traços bem ocidentais, a pele branca e os cabelos volumosamente encaracolados. Usava uma camiseta do Rancid customizada e surrada, shorts jeans rasgados quase na altura da virilha e coturnos negros. Sorria agradecendo aos presentes que ali estavam em inglês. Parecia um pouco tímida.

Logo ela já cantava com a fúria de sua voz feminina. Perguntava-se como ela conseguia alcançar uns agudos tão sincronizados com os riffs das guitarras em determinadas partes das músicas. Os cabelos dourados balançavam-se com seus movimentos contínuos e agressivos e o microfone em suas mãos parecia se tornar uma arma poderosa para ela.

O som era legal e ele acabou curtindo muito. Logo depois que a banda terminou de apresentar seu repertório, resolveu adentrar o backstage para conhecê-los pessoalmente. Melhor, conhecê-la pessoalmente.

Conseguiu esse feito graças aos responsáveis do lugar que já o conheciam há muito tempo. Já estava lá dentro quando a viu no meio dos rapazes, onde conversavam animadamente em inglês. Arriscando seu inglês fluente - porém precisando de melhoras, começou a cumprimentar o pessoal, alegando ser vocalista de uma banda também. A vocalista mesmo achando aquele inglês um pouco feio, acabou compreendendo e se interessou na conversa daquele homem que entrara.

- Excuse-me... What's your name? - Ela perguntou com um sorriso cativante e gentil.

- Akira - Ele respondeu sorrindo também. Era um sorriso tímido.

- Juliette. Nice to meet you!

Tão rápido foram os cumprimentos quanto a troca de ideias. Já estavam num sofá no camarim, conversando animadamente. Viram que possuiam os mesmos gostos, os mesmos sonhos, a mesma personalidade.

Ficaram amigos rapidamente. Juliette era uma moça simpática e espontânea, apesar de um pouco tímida talvez quando seus cachos caiam sobre seu rosto, ocultando seu olho esquerdo, como se quisesse se esconder daquele olhar intrigante que Akira tinha.

E ele voltou naquele barzinho mais vezes só para vê-la. De alguma forma aquela moça o encantou. Era diferente não só pela etnia, mas pela personalidade e pela sua encantadora voz. Principalmente. Desejava ouví-la mais vezes cantando com sua voz bonita e agressiva. Nas vezes em que descobria que ela não estaria lá, logo saia do local. Não interessava quando ela não estava lá.

Algo engraçado - e inusitado aconteceu. Um dia tomando um cappuccino numa cafeteria acabou encontrando-a por acaso, tomando café também e devorando um belo pedaço de bolo. Naquele dia estava com a voz um pouco rouca, devido ao frio na cidade e ao último show num outro bar local, em que estava usando roupas inadequadas para o clima. Akira sentou-se ao seu lado a convite dela e passaram a tomar café juntos. A partir daquele dia pasaram a tomar cafés (juntos) com mais frequência.

Cafés a parte, e lá estavam os dois passeando pelas ruas úmidas de Tokyo jogando conversa fora, inventando desculpas esfarrapadas para suas respectivas bandas, rindo, criticando vulgaridades e sibilando estrofes de músicas que curtiam. Estavam se gostando de alguma forma. Juliette ainda estava com sua voz rouca.

Outra vez se encontraram. Para conversarem sobre letras de músicas. Mas logo se esqueceram disso. Já estavam naquele mesmo café, conversando animadamente ainda, bebericando cafeína. Só que naquele dia foi diferente. Era o que faltava.

- Juliette-san... We could go to my apartment... What do you think?

Era um convite tendencioso, mas tentador. A moça havia gostado muito dele, então aproveitaria bastante seus dias naquela cidade. Aceitou o convite, meio receosa. Sua voz já melhorara um pouco.

- Yes...!

Seu apartamento era lindo, tinha que admitir. Seu pequeno apartamento em Seattle era uma casinha de boneca perto daquele lugar tão aconchegante. Disse que tinha invejinha dele. Akira riu. Ela falava coisas engraçadas. Ela era engraçada. Gostava de brincar com o fato dele ser um moço de baixa estatura e ela... 1,70 m de personalidade e bom humor. Claro, não havia maldade nas brincadeiras dela. Curtia homens mais baixos.

Akira perguntou-lhe se aceitava alguma bebida. Balançou a cabeça cheia de cachos positivamente enquanto brincava com seu cachorro. A moça perguntou-lhe o nome do bichinho. Yachi. Ela riu, achou o nome bem fofo. Disse que tinha um Rottweiler encantador chamado Ringo, alegando ser em homenagem ao baterista dos Beatles, sua banda preferida. Ele também riu. Logo encheu dois copos de Wiskey e ofereceu à Juliette, que deixou o pequeno cãozinho preguiçosamente deitado em seu colo enquanto sorvia um gole da forte bebida. Deu como arruinada sua abstinência temporária do alcool.

Akira fez-lhe um elogio, dizendo que ela era tão encantadora que até o cachorro havia gostado dela. Mais uma vez ela solta aquela risadinha tímida, gostosa de ouvir. Começaram a conversar sobre um assunto aleatório enquanto bebiam. Falaram sobre as chuvas da cidade e ponto. O assunto morrera ali. Yachi dormiu em seu colo.

- Can I ask you something? - Ele perguntou. Juliette quis rir das suas bochechas levemente coradas.

- Sure! - Ela exclamou por fim.

Apesar do sorriso, Akira estava receoso. Mas acabou pedindo enfim.

- Can you…Sing for me...?

A moça o olhou surpresa. Pensou em recusar, afinal estava com a voz um pouco arranhada, e ele não iria gostar mesmo. Pensou nas piores desculpas que tinha em mente. Mas não conseguiu encontrar nenhuma que fosse bem convincente. Ainda arriscou, dizendo que sua voz não estava muito boa para cantar, mas ele não se importou com isso. Queria ouvir sua voz de qualquer forma.

Olhou para Akira e este a olhava pedinte. Por quê recusar? Ele era cantor também, se ela arranhasse a voz ele entenderia. Tentou ainda uma desculpa, dizendo que não sabia se conseguiria, e ele a incentivou, dizendo que Juliette era uma mulher poderosa e que nem uma irritação na garganta poderia impedí-la. Sentiu o rapaz roçar os dedos em sua mão direita. Seu rosto ardeu consideravelmente.

- Please...

Ele insistia. E ela por fim, meio relutante, meio tímida, meio sei-lá-o-quê, acabou aceitando seu pedido. Pigarreou um pouco e soltou a voz, cantando uma música dos Beatles que gostava muito. Yesterday. Cantava devagar, crispando os dedos na barra de sua saia, um pouco nervosa. Sentia-se uma menina tímida de 14 anos novamente.

O moço ouvia-a atentamente, abaixando a cabeça e fechando os olhos, curtindo aquele tom de voz outrora violento e agora suave e gentil. Sua voz ainda estava um pouco rouca, mas bonita.

Ah, mas como ele estava adorando aquilo! Juliette, surpresa com tamanha atenção de seu novo amigo, resolveu agradecê-lo da melhor forma. Aproveitou-se da distração dele e aproximou-se devagar, de modo que seus lábios ficassem próximos ao seu ouvido esquerdo. Agora a moça cantava somente para ele, criando um universo particular só para eles. Akira logo ergueu a cabeça lentamente e seus olhos se encontraram. Juliette continuava a cantar, a música estava quase no fim. Não sabiam se eram os efeitos do Wiskey que tomaram mas uma vontade estranha lhes veio a tona. Era estranho mas... Por quê não?

Então ele aproximou-se devagar de seu rosto, fazendo com que suas respirações se misturassem uma com a outra. Juliette e Akira nem perceberam direito quando seus lábios se uniram num beijo, um leve roçar de lábios. A língua dele então pediu passagem para dentro dos lábios convidativos, iniciando um beijo verdadeiro. Ambas as línguas brincavam uma com a outra numa sincronia única. A moça passou a acariciar sua nuca com a mão, enquanto ele enterrava a mão direita em seus cabelos e a mão esquerda procurava apalpar alguma parte deleitável do corpo dela. Suspirou quanto sentiu um leve aperto nas coxas. Yachi rapidamente pulou de seu colo.

Separaram-se bruscamente com o susto que o cachorro lhes dera. Ficaram uns segundos em silêncio e começaram a rir. Possivelmente de todo aquele clima imediato. Akira pediu desculpas em seguida, ela também e... Voltaram a se beijar ardentemente.

Sua voz rouca passou a entonar suspiros e gemidos deliciosos horas depois.


sábado, 1 de dezembro de 2012

Só mais um sonho romanticamente estranho.

Ontem, sonhei que fazia um bolo de chocolate pra ele.

Foi um sonho meio esquisito. Acho que desde o momento em que eu me vi apaixonada por ele eu não paro de ter sonhos graciosamente estranhos em que ele era o protagonista. É tão peculiar. É tão peculiar se ver gostando de um cara que está tão perto mas tão longe de você.

Sonhei que estava numa cozinha grande e muito bonita, com ele ao meu lado. Conversávamos sobre não-sei-o-quê, enquanto eu mexia e remexia a massa do bolo numa tigela. Ele simplesmente me olhava. Me olhava tanto que me deixava zonza até. E muito de repente o bolo já estava no forno. Não sei qual modelo.

Só sei que muito de repente também eu já estava colocando o bolo pra ele à mesma, toda feliz, com ele sorrindo pra mim. Depois nos beijamos por longos minutos antes de devorarmos o bolo. Lembro até da cara que ele fazia enquanto me observava comendo o bolo. Eu parecia uma criança, com os cantos da boca sujos de chocolate. fazendo graça, tudo muito engraçado. Aí acordei no momento em que eu ria de alguma coisa que ele tinha feito.

É isso. A carência nos deixa assim.

quarta-feira, 28 de novembro de 2012

Um flerte e olhos puxados.


Foi comprar um livro novo que há algum tempo precisava lê-lo, mas sempre adiava sua ida à livraria, alegando falta de tempo ou pura preguiça. Era uma tarde fria em São Paulo. Saiu de casa devidamente agasalhada, um pouco incomodada com o cachecol velho que pinicava seu pescoço ou com os cabelos encaracolados, que o vento batia e bagunçava-os. Assim mesmo, foi caminhando pelas ruas, vendo pessoas aleatórias, os bons vizinhos e o garoto de dezesseis anos de idade que há algum tempo paquerava-a com olhares desejosos e “bom dias” cheios de empolgação e segundas intenções. Ela tinha vinte e dois anos.

Seu nome era Eliza. Nome igual ao da avó materna. Trabalhava como estagiária numa empresa, mas estava de férias na ocasião, o que ela achava muito bom, pois estava cheia daquele lugar e pensava na possibilidade de pedir demissão quando voltasse. Cabelos encaracolados num castanho-escuro enjoativo, olhos pequenos, maçãs bonitas e lábios modestos. Não se achava bonita, apesar de ouvir uns e outros elogios aqui e ali, mas achava que as pessoas nunca eram sinceras com ela.

Morava sozinha num apartamento na Santa Cecília, desde os dezenove anos, quando passou a cursar a faculdade. Sentia-se um pouco sozinha, mesmo com a presença de sua gatinha de estimação, a Raimunda, uma gata siamesa que apenas ronronava e deitava em seu colo toda hora quando via tevê. Não tinha namorado, e nem tinha interesse em ter um. Os homens eram todos uns idiotas. Não era muito boa em relacionamentos, nem chegou a ter muitos garotos em sua vida. Logo, perdera sua virgindade aos vinte anos.

Depois de ter tropeçado em uma pedra na calçada e soltado um palavrão mentalmente, chegou à tranquila livraria. Sentia-se bem naquele lugar tão aconchegante e cheio de livros e CD’s gostosos de ler e ouvir. Entrou e logo avistou a prateleira onde estavam os livros de seu interesse. Ela gostava de ler. Era seu passatempo preferido. Preferia mil vezes ler um livro a sentar numa sala de cinema cheia de gente fútil e desnecessária.

Achou um romance sueco que lhe pareceu ser bem interessante e o tirou da prateleira. Pegou também o outro livro que há tempos pensava em comprá-lo. Um livro de auto-ajuda. Lia o pequeno resumo atrás do livro distraidamente, quando sentiu algo esbarrando em seu ombro. Um pouco atordoada com a pancada, olhou para trás e viu um rapaz lhe pedindo desculpas educadamente.

Ficou calada por alguns segundos, observando aquele moço que acabara de esbarrar em seu ombro. Parecia ser um rapaz de sua altura. Os cabelos lisos e negros e o rosto meio arredondado. Assemelhava-se a um oriental. Quando o moço passou a olhá-la mais diretamente nos olhos, assumiu uma feição meio tímida no rosto.

- Me desculpe... – Ele disse devagar.

Ela, já menos atordoada do que antes, sorriu pequeno.

- Tá tudo bem – Respondeu de um jeito extremante educado e sereno – E você, está bem?

- Sim, estou. É que eu sou muito distraído... – Ele tentou contornar a situação com um sorriso confortável nos lábios. Covinhas apareceram em suas bochechas.

- Não... Eu é que sou – Eliza disse, ajustando o cachecol no pescoço, com um sorriso mais confortável que o dele – Acontece com todo mundo esse tipo de coisa... – Concluiu, fazendo com que ele se sentisse mais a vontade e soltasse um risinho descontraído.

Para Eliza, falar com estranhos era algo incomum e perigoso. Os estranhos, a seu ver, podiam ser pessoas extremamente sujas e mal intencionadas, o que gerava a extrema desconfiança dela cada vez que alguém completamente aleatório na multidão vinha falar com ela. Mas aquele moço pareceu ser alguém a quem podia dar um voto de confiança. Ele era tão...

- Posso saber o seu some? – Ele de repente pergunta, esboçando ainda um sorriso amável.

Um pouco hesitante, ela respondeu, olhando para um ponto qualquer da livraria.

- Eliza. Liz. Sei lá, como quiser. E o seu?

- Felipe – Respondeu o rapaz, passando os dedos suavemente nos cabelos, demonstrando timidez – Esse é meu nome brasileiro. Nasci no Japão na verdade, e meu nome é Kazumi.

- E posso te chamar de...

- Felipe mesmo – Ele completou a frase dela. Ela achou engraçado e sorriu mais ainda.

- Prazer em conhecê-lo!

- O prazer é meu!

Lilly sentiu mais segurança. Além de simpático, era um moço gentil e... Muito bonito. O amendoado dos seus olhos puxados era diferente, e tinha umas feições tão leves no rosto que chegavam a ser infantis. Um japonês diferente, é isso, pensou ela.

- Olha... Eu já vou indo. Eu adoraria ficar mais um pouco e conversar com você, mas tenho coisas pra fazer, me desculpe...

- Tudo bem. Nos vemos por aí então... Até logo – Despediu-se ele, com o rosto levemente corado, talvez um pouco sem graça diante da forma como ela o dispensou.

- Até logo – Finalizou ela, sentindo-se uma boba por ter dispensado o rapaz de uma forma até um pouco seca e indiferente.

Foram se afastando um do outro, até ela esbarrar numa outra pessoa. Uma mulher, de aparência madura, que a olhou com certa impaciência, mesmo depois de Eliza ter se desculpado. Deu uma última olhadinha para trás, para ver se ainda conseguia ter uma última lembrança do rapaz oriental, mas parecia que ele não estava mais lá.

Pagou os livros e foi embora. Foi andando com a cabeça fervilhando em pensamentos relacionados ao rapaz que acabara de conhecer. Era um fato engraçado, porque nunca em sua vida flertara com homens em ambientes diferenciados, como a livraria. E ele parecia ser um cara legal. E raramente tinha essa opinião sobre os homens.

Chegou em casa e foi direto para o banheiro tomar um longo banho quente. Depois foi à cozinha, onde preparou seu costumeiro chocolate quente e comeu biscoitos no café da tarde, enquanto continuava a pensar naquele rapaz. 


domingo, 25 de novembro de 2012

Dores íntimas.

Mãe.

Quero que me perdoe por mais essa carta imbecil, mas gostaria de desabafar aqui, por palavras escritas, já que eu sou incapaz de falar tudo o que se passa comigo olhando nos seus olhos.

Tive uma briga horrível com o meu irmão hoje. Nunca tínhamos brigado tão feio como hoje. Trocamos palavrões e obscenidades, nos esmurramos e enforcamos um ao outro. Mas algo que ele me disse me afetou de verdade. Me machucou pra valer. Ele me chamou de lixo.

Me senti exatamente assim naquele momento. Um verdadeiro lixo. E chorei. Muito. E mesmo depois de nos abraçarmos e nos perdoarmos, isso ainda me afeta. Eu fui jogada ainda mais para baixo. Ainda me sinto um lixo. Mais do que eu já sou.

A psicóloga me disse que eu estava com início de depressão. Sim mãe, eu sou uma pessoa depressiva. Tenho certeza absoluta que você deve estar me achando uma boba ou uma tonta de estar falando isso. Ou que isso deve ser uma "chantagem emocional". Ou que estou me fazendo de coitadinha.

É que você não entende. Você não me entende. E acho que nunca vai conseguir me entender.
Sinto-me como se eu fosse uma pessoal avulsa nesse mundo. Avulsa e sem motivação.
Uma flor murcha e sem vida.

Vejo outras meninas por aí com a felicidade estampada em seus bonitos rostos. Minhas amigas, ah, às vezes chego até ter inveja delas, por serem bonitas, com seus namorados lindos, cheias de compromissos no dia-a-dia... Cheias de vida.

Elas são os belíssimos cisnes brancos, enquanto eu sou o patinho feio e desprezado.

Mas ao contrário do patinho feio, que no final se transforma num lindo cisne branco, continuarei o mesmo lixo de sempre. A magia não cairá sobre mim.

Eu nunca serei um cisne branco.

Eu sou uma pessoa fraca. Fraca e incapaz de encarar o mundo. O medo de ser desprezada e rejeitada por todos à minha volta me aflige. Me torna indefesa. Medo de que pisem em cima de mim e me desprezem.
Uma pessoa que cai e não tem força para se levantar. Um frágil cristal falso, que em qualquer queda se transforma em mil pedacinhos. Uma pessoa que se machuca muito fácil.

Não sou como as outras meninas, felizes e reluzentes.

Como você e meu pai sempre me dizem: "Está difícil para viver".

Então, se eu está tão difícil viver para mim, o que eu estou fazendo aqui? Por quê insisto em continuar aqui?

Por medo. Medo da morte. Sou movida pelo medo. Minha incapacidade e fragilidade me faz ter medo de muitas coisas.

São raras as vezes em que eu me sinto feliz. Naquele dia que fomos à praia, me senti tão feliz. Era como se aquela água do mar me lavasse a alma. Era como se me limpasse, me purificasse, me fizesse esquecer os problemas. E domingo passado então? Me senti tão viva, tão feliz. Esboçava mil sorrisos. E eram sorrisos sinceros, e não aqueles que escondem a minha tristeza, como costumo fazer.

Sorrisos para tentar agradar as pessoas. Para tentar ser legal com elas. Mas parece que quando tento ser legal com elas, passam a me ver como uma idiota, uma otária, fácil de ser manipulada. E não tenho uma personalidade forte o bastante para impor limites aos outros. Sou uma ignorante aqui dentro de casa, mas lá fora me sinto como um cachorrinho acanhado e medroso.

Eu sou uma idiota.

Por vezes eu pensei: por quê eu nasci? Qual é a minha missão aqui? Ah, como eu gostaria de conversar com Deus, e desabafar com Ele. Talvez Ele me entenderia, me acalentasse e me consolasse em seu colo divino, como um frágil e triste bebê...

Gostaria que Ele me socorresse.

Sei que aqui, dentro dessa casa, todo mundo me ama, mas parece que me sinto incapaz de amá-los da mesma maneira. Algo encolhe o meu coração. Algo me faz sentir ainda mais destruída. Desprezada. Esquecida.

E não sei dizer o que é.


14/03/09

terça-feira, 13 de novembro de 2012

O novo título do blog.

Não tem um dia na minha vida que eu não deixe de pensar em preocupações.

Faz tempo que não ando com a cabeça limpa, livre de pensamentos e ansiedades, de medos e de rancores. Gostaria muito de saber como faço para melhorar isso, pra não acabar ficando maluca.

Minha auto-estima inexistente e paranóias persistentes não permitem que eu viva um dia sequer com a cabeça leve. Pelo contrário, os dias passam, algo não-bom acontece e minha cabeça dói.

Por isso eu sempre digo: se me dessem uma passagem só de ida pra Goiânia ou então pro litoral do Nordeste, eu iria sem pensar duas vezes. A poluição da cidade, a pressa, o ônibus lotado, o celular tocando, a arrogância alheia, o estresse... Acho que tudo isso anda me fazendo mal.

Não tenho mais paciência. Coisas que antigamente eu gostava de fazer, agora não me atraem. Coisas que eu sempre quis fazer na adolescência e tinha vontade de fazer, agora me dão fadiga só de pensar. Parece que sou uma idosa de 60 anos num corpo de uma moça de 21.

Estou mais amarga como nunca estive antes. Ou já estava, mas talvez eu não tenha me dado conta da gravidade da coisa. Arrependimentos, frustrações, coisas-não-boas-que-sempre-acontecem.

Gente que tenta, tenta, tenta mais do que pode, tenta me ajudar. Gente que dá os conselhos mais irrelevantes pra minha existência, gente que me elogia por puro sentimento de pena para com a minha pessoa, gente que nem quer mais saber.


domingo, 21 de outubro de 2012

Trabalho novo, quem curte?

Estamos em outubro. E nem contei as novidades.

Estou num trampo novo. Trabalho pra Jequiti (já podem rir!), telemarketing, atendendo as consultoras que querem ganhar $$$ pra pagarem de rycas no final do ano. É um trabalho tranquilo, não me estresso, as mulheres que ligam pra lá são bem educadas e tranquilas (já recebi elogios até...), etc etc. Mas mesmo gostando de trabalhar por lá, algumas coisas me irritam.

Pra começar, o ambiente. Vocês que reclamam dos seus empregos só por causa do chefe que é um cara bem mala, parem já. Talvez vocês nunca tenham trabalhado num metro quadrado com 55 mulheres. PUTA QUE PARIU, QUANTA BUCETA JUNTA. E acho que uma das piores coisas do mundo é trabalhar com mulheres.

Num lugar onde só tem mulher trabalhando junto com você, todo o cuidado é pouco. Você tem que usar uma armadura invisível contra fofocas e picuinhas durante todo o expediente. Ainda mais eu, que sou toda esquisita. Eu não duvido que as mulheres de lá pensam algo bem ruim sobre mim, mesmo sem eu fazer absolutamente nada.

E ainda mais com as mulheres de onde eu trabalho. A grande maioria esfrega a xavasca no baile funk, teve filhos na adolescência e fazem visitas semanais aos seus "maridos" nos presídios de São Paulo. Sério. Ouvi a história de uma, que engravidou de um malandrão aí, que largou o filho pra se meter no crime e hoje tá preso numa penitenciária aí da cidade.

Lá, só eu e mais duas meninas curtimos classic rock. E nós três temos certeza absoluta de que aquelas moças devem nos odiar.

Ah sim, o chefe. O cara parece o Neil Young com 23 anos de idade, mas é beeeem malinha. O cara não fala nada sobre o sistema que cai com frequência e sobre os lanches que fazem duas ou três garotas por semana irem parar no hospital com gastrite ou intoxicação alimentar, mas enche o saco quando passam num corredorzinho que fica atrás dele, onde fica a mesa dele. Aí você tem que dar um belo dum rolê pra ir ao banheiro. Eu costumo detestar as pessoas por pouca coisa. E eu já detesto esse cara.

De resto, muita coisa ainda não mudou.

Um dia minha mãe me perguntou se eu estava feliz. Respondi que não. "A felicidade não se consegue num estalar de dedos", eu disse.

terça-feira, 4 de setembro de 2012

Voltando.

Passei um tempo sem postar nenhum texto por aqui. Preguiça, galere. ;)

Mas também porque minha mente anda enevoada de problemas, pensamentos e catástrofes psicológicas da qual eu já cansei de relatar por aqui. E acredito que vocês já estejam de saco cheio de ler sobre os meus problemas.

Mas dane-se. Falar com a minha mãe não adianta mais.

Eu costumo achar que o mês de agosto é uma merda, um desgosto mesmo, como todo mundo diz. Minhas brigas comigo mesma continuam intensas e confusas, nunca sei o que fazer, me sinto cada vez mais inútil e meu sono anda mais pesado do que o normal. Estou tomando anti-concepcionais para regular os hormônios, que andam bem bagunçados. Eu me sentiria mais legal se eu os estivesse tomando depois de uma boa transa. Mas minha vida sexual é como a minha felicidade: inexistente.

Mas pelo menos tenho uma boa notícia pra contar: consegui um emprego!

Ok, ok. Telemarketing, de novo. Mas é só pra bancar a faculdade e pra ver se consigo tomar algum rumo diferente na vida. Porque não dá mais pra viver nesse poço tão fundo e tão escuro. E tenho pânico do escuro.

Sobre o tratamento psicológico... Uma hora eu desisto de vez.

Enfim, eu espero que dessa vez as coisas se movimentem. Tá uma merda viver com dor de cabeça em frente ao computador, vendo gente idiota escancarando sua falsa felicidade no Facebook, postando status recheados de #partiu, fotos do Instagram, maquiagem e LP's. Eu espero ter meu $ logo, pra poder futuramente sair de casa, espairecer definitivamente, ter mais independência e, principalmente, para cuidar de mim.

Porque tá na hora de pensar um pouco em mim.